Do Que Vale Amar?

Capítulo Quatro: Amigos?




Não demorou nem cinco minutos e o pai de Marcela já estava em frente ao portão da escola esperando-a. Ela se despediu das amigas, entrou no carro e fez seu “velho ritual”: beijou e abraçou o pai, colocou seu fone de ouvido no volume mais alto, entrando na sua bolha impermeável.

Vincenzo viu tudo aquilo e pensou: “Como ela consegue ser tão patricinha, cara?”. Não muito depois ele descobriu que a casa dela era bem próxima à escola, e daria muito bem para ir e vir caminhando da casa para a escola. Entretanto, ele imaginou que o pai dela talvez devesse ser muito protetor e não a deixara andar pela rua sozinha.

Vincenzo foi até sua casa pensando nela, já era impossível dizer que ele não se sentia minimamente atraído por ela, e quem sabe talvez apaixonado. Ele pensava em como ela era: linda, mimada, e como também se irritava bem fácil. A casa de Vincenzo era bem grande tinha diversos cômodos. Assim que entrava avistava-se: a sala, ao lado a cozinha e, no fundo, um corredor. Entrando pelo corredor, a primeira porta a esquerda havia um lavabo, seguindo, no mesmo lado, a suíte que pertencia a Vincenzo, em frente a de sua irmã e no final a dos seus pais.

Vincenzo entrou pela porta e jogou a mochila pelo chão do quarto. Logo após, tomou um banho, almoçou. Após comer, o rapaz se jogou na cama e abriu o caderno. Percebeu haver um número de telefone anotado. Com extrema curiosidade, digitou-o em seu celular e ligou. Após dois toques a pessoa atendeu:

— Alô! — falou a pessoa do outro lado da linha.

— Alô?! — respondeu Vincenzo. — Quem está falando? Aqui é o Vincenzo!

— Olá, Vincenzo, aqui é a Laryssa da sua escola. — a garota respondeu.

— A amiga da Marcela, certo? — ele perguntou.

— Eu mesma!

— Por que anotou seu número no meu caderno?! — ele perguntou muito curioso.

— Porque notei seu interesse pela celinha!

Vincenzo riu.

— Então estou certa há um sentimento?

Vincenzo riu novamente.

— Só vai rir? Não vai falar nada?

— Já ouviu a frase “quem cala consente”?

Laryssa riu. — E o que você vai fazer?

— Nada!

— Nada? — ela indagou surpresa.

— Sim, nada!

— E como quer conquistá-la?

— Eu já a conquistei.

— Nossa que convencido!

Vincenzo riu. — Tenho que desligar, tá bom?

Tudo bem! Até amanhã! Mas, antes que você desligue, amigos?

— Claro, amigos! — respondeu Vincenzo e desligou o telefone.

Durante a tarde, ele foi para rua e jogou futebol com os amigos. A noite quando entrou, tomou outro banho, jantou com seus pais e sua com irmã, e depois foi se deitar, pois, no dia seguinte haveria mais um dia de aula. 

A noite passou e assim que amanheceu o despertador tocou. Vincenzo o desligou, sentou-se na cama um pouco zonzo ainda, alongou-se e se levantou. Vincenzo foi até o banheiro tomou banho, lavou a boca e o rosto, desceu para tomar café matinal e saiu para a escola. No caminho, colocou seu fone de ouvido e foi ouvindo a banda “30 Seconds To Mars”. Quando chegou à escola avistou Laryssa e foi cumprimentá-la.

Buh! — ele gritou no ouvido dela.

Laryssa gritou de susto e deu um pulo para trás. Depois que viu ser Vincenzo bateu nele. 

— Ficou doido, menino? Quer me matar me assustando deste jeito?

— Não! — ele disse e riu. — Viu a gatinha?

— Quem? — ela perguntou.

— Marcela!

Ah, ela não chegou ainda. Deve chegar uns instantes antes da entrada, ela mora há 10 minutos daqui e sempre vem de carro com o pai.

Hm, entendo! Preciso que faça um favor para mim, você faz?

— Depende qual?

— Eu preciso que hoje você troque de lugar comigo.

— O quê?! — ela perguntou assustada.

— É o que você ouviu.

— Ficou louco? A celinha já não gostou muito de você e você ainda quer sentar-se ao lado dela? Se continuar irritando ela, nunca vai conquistá-la.

— Sei o que faço. Hein, troca de lugar comigo? — ele perguntou.

— Tudo bem, mas depois não reclame.

Quando Erick chegou perto de Laryssa, Vincenzo se afastou e ficou do outro lado da rua esperando o sinal tocar. Ele viu Marcela chegar com o pai de carro, viu quando ela se aproximou de Laryssa e a cumprimentou. Então, Marcela olhou para ele que continuou encarando-a, acenou para ela e ela desviou o olhar. Assim que o sinal tocou, ele atravessou a rua e entrou na escola. Foi para sua sala e se sentou ao lado de Marcela.

— Aí já tem uma pessoa sentada. — ela disse quando o viu sentar.

— Eu sei gatinha! Estou sentado aqui.

— Não, gatinho. — ela falou com bastante ironia. — Estou falando que o lugar é da Laryssa.

— Suponho que não! Olha, ela está sentada com o Erick. — ele disse apontando para os dois.

— Laryssa! — Marcela gritou.

Ah amiga, hoje eu vou ficar aqui. — Laryssa respondeu.

Como não havia mais lugar vago, Marcela teve que ficar ao lado de Vincenzo. A primeira aula do dia foi de Lógica, o professor entrou na sala com uma caixa repleta de tabuleiros de xadrez e dama. O professor era um homem baixo, da altura de Laryssa, já era idoso e um pouco gordo, na verdade, aquela “velha barriga de chope”. Ele colocou a caixa em cima da mesa e começou a falar:

— Bom dia, alunos!

— Bom dia! — todos o responderam.

— Sou o Sr. Otávio, o professor de lógica e estratégia. Essa matéria, antes que vocês me perguntem se é útil para a vida, é necessária se eventualmente vocês quiserem montar um negócio ou um time esportivo, isso não importa. A matéria ensinara-los estrategicamente como administrar seu negócio para torná-lo produtivo, e, também melhora o raciocínio de vocês, ajudando-os em outras, principalmente em Matemática. — ele fez uma pausa. — Fiquei sabendo que ano passado aqui no colégio teve um campeonato de xadrez e de dama e nesta sala temos a campeã no xadrez. Parabéns. — ele disse olhando para Marcela. — E neste primeiro bimestre trabalharemos estes dois jogos. Aqueles que não sabem jogá-los vão aprender, porque vou ensiná-los. Aqueles que já sabem jogar venham aqui peguem um jogo e joguem com outra pessoa.

Vincenzo se levantou foi até a mesa do professor e pegou um tabuleiro de xadrez. — Vamos jogar gatinha?

— Quer jogar comigo? — ela perguntou.

— Claro! — ele respondeu. — Por que não começar o ano desafiando uma campeã?

Marcela riu. — Então se prepare para perder gatinho!

— Veremos quem vencerá, gatinha. — ele disse. — Você pode começar com as brancas.

Eles arrumaram o tabuleiro. Marcela ficou com as peças brancas e ele com as pretas. Estavam mais uma vez se enfrentando. Desta vez, por ser uma regra do xadrez, ela, por estar com as peças brancas, começou o jogo. 

Movimentou então levou o peão do rei para a posição E4; Vincenzo pensou um pouco e colocou seu peão do rei na posição E5. Marcela colocou uma mecha de cabelo traz da orelha esquerda e jogou o bispo do rei na posição B5. Vincenzo ao observar a jogada, viu que realmente ela era uma boa jogadora e que se ele não estivesse prestando atenção no jogo, ela venceria. Então levou o peão do bispo da rainha para a casa C6.

— Realmente você é uma boa jogadora, gatinha. — ele disse. — Mas achou mesmo que iria me ganhar com o mate do pastor?

— Sim, gatinho, eu achei. — ela respondeu sorrindo.

O jogo continuou e Vincenzo estava ganhando Marcela por 10 peças a 5 quando ele colocou sua torre na posição A2 de frente ao rei branco que estava na casa A3, na B₄ havia um peão branco e protegendo a torre preta a rainha preta na posição E6. Quando ele colocou a torre na A2 olhou para Marcela e disse:

— Desculpa, gatinha, mas xeque-mate!

 

 



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