Do Que Vale Amar?
Não demorou nem cinco minutos e o pai de Marcela já estava em frente ao portão da escola esperando-a. Ela se despediu das amigas, entrou no carro e fez seu “velho ritual”: beijou e abraçou o pai, colocou seu fone de ouvido no volume mais alto, entrando na sua bolha impermeável.
Vincenzo viu tudo aquilo e
pensou: “Como ela consegue ser tão patricinha, cara?”. Não muito
depois ele descobriu que a casa dela era bem próxima à escola, e daria muito
bem para ir e vir caminhando da casa para a escola. Entretanto, ele imaginou
que o pai dela talvez devesse ser muito protetor e não a deixara andar pela rua
sozinha.
Vincenzo foi até sua casa
pensando nela, já era impossível dizer que ele não se sentia minimamente
atraído por ela, e quem sabe talvez apaixonado. Ele pensava em como ela era:
linda, mimada, e como também se irritava bem fácil. A casa de Vincenzo era bem
grande tinha diversos cômodos. Assim que entrava avistava-se: a sala, ao lado a
cozinha e, no fundo, um corredor. Entrando pelo corredor, a primeira porta a
esquerda havia um lavabo, seguindo, no mesmo lado, a suíte que pertencia a
Vincenzo, em frente a de sua irmã e no final a dos seus pais.
Vincenzo entrou pela porta e
jogou a mochila pelo chão do quarto. Logo após, tomou um banho, almoçou. Após
comer, o rapaz se jogou na cama e abriu o caderno. Percebeu haver um número de
telefone anotado. Com extrema curiosidade, digitou-o em seu celular e ligou.
Após dois toques a pessoa atendeu:
— Alô! — falou a pessoa do outro
lado da linha.
— Alô?! — respondeu Vincenzo. —
Quem está falando? Aqui é o Vincenzo!
— Olá, Vincenzo, aqui é a Laryssa
da sua escola. — a garota respondeu.
— A amiga da Marcela, certo? —
ele perguntou.
— Eu mesma!
— Por que anotou seu número no
meu caderno?! — ele perguntou muito curioso.
— Porque notei seu interesse
pela celinha!
Vincenzo riu.
— Então estou certa há um
sentimento?
Vincenzo riu novamente.
— Só vai rir? Não vai
falar nada?
— Já ouviu a frase “quem cala
consente”?
Laryssa riu. — E o que você vai
fazer?
— Nada!
— Nada? — ela indagou surpresa.
— Sim, nada!
— E como quer conquistá-la?
— Eu já a conquistei.
— Nossa que convencido!
Vincenzo riu. — Tenho que
desligar, tá bom?
Tudo bem! Até amanhã! Mas, antes
que você desligue, amigos?
— Claro, amigos! — respondeu
Vincenzo e desligou o telefone.
Durante a tarde, ele foi para rua
e jogou futebol com os amigos. A noite quando entrou, tomou outro banho, jantou
com seus pais e sua com irmã, e depois foi se deitar, pois, no dia seguinte
haveria mais um dia de aula.
A noite passou e assim que
amanheceu o despertador tocou. Vincenzo o desligou, sentou-se na cama um pouco
zonzo ainda, alongou-se e se levantou. Vincenzo foi até o banheiro tomou banho,
lavou a boca e o rosto, desceu para tomar café matinal e saiu para a escola. No
caminho, colocou seu fone de ouvido e foi ouvindo a banda “30 Seconds To
Mars”. Quando chegou à escola avistou Laryssa e foi cumprimentá-la.
— Buh! — ele gritou
no ouvido dela.
Laryssa gritou de susto e deu um
pulo para trás. Depois que viu ser Vincenzo bateu nele.
— Ficou doido, menino? Quer me
matar me assustando deste jeito?
— Não! — ele disse e riu. — Viu
a gatinha?
— Quem? — ela perguntou.
— Marcela!
— Ah, ela não chegou
ainda. Deve chegar uns instantes antes da entrada, ela mora há 10 minutos daqui
e sempre vem de carro com o pai.
— Hm, entendo! Preciso que
faça um favor para mim, você faz?
— Depende qual?
— Eu preciso que hoje você troque
de lugar comigo.
— O quê?! — ela perguntou
assustada.
— É o que você ouviu.
— Ficou louco? A celinha já
não gostou muito de você e você ainda quer sentar-se ao lado dela? Se continuar
irritando ela, nunca vai conquistá-la.
— Sei o que faço. Hein,
troca de lugar comigo? — ele perguntou.
— Tudo bem, mas depois não
reclame.
Quando Erick chegou perto de
Laryssa, Vincenzo se afastou e ficou do outro lado da rua esperando o sinal tocar.
Ele viu Marcela chegar com o pai de carro, viu quando ela se aproximou de
Laryssa e a cumprimentou. Então, Marcela olhou para ele que continuou
encarando-a, acenou para ela e ela desviou o olhar. Assim que o sinal tocou,
ele atravessou a rua e entrou na escola. Foi para sua sala e se sentou ao lado
de Marcela.
— Aí já tem uma pessoa sentada. —
ela disse quando o viu sentar.
— Eu sei gatinha!
Estou sentado aqui.
— Não, gatinho. —
ela falou com bastante ironia. — Estou falando que o lugar é da Laryssa.
— Suponho que não! Olha, ela está
sentada com o Erick. — ele disse apontando para os dois.
— Laryssa! — Marcela gritou.
— Ah amiga, hoje eu vou
ficar aqui. — Laryssa respondeu.
Como não havia mais lugar vago, Marcela
teve que ficar ao lado de Vincenzo. A primeira aula do dia foi de Lógica, o
professor entrou na sala com uma caixa repleta de tabuleiros de xadrez e dama.
O professor era um homem baixo, da altura de Laryssa, já era idoso e um pouco
gordo, na verdade, aquela “velha barriga de chope”. Ele colocou a caixa em cima
da mesa e começou a falar:
— Bom dia, alunos!
— Bom dia! — todos o responderam.
— Sou o Sr. Otávio, o
professor de lógica e estratégia. Essa matéria, antes que vocês me perguntem se
é útil para a vida, é necessária se eventualmente vocês quiserem montar um
negócio ou um time esportivo, isso não importa. A matéria ensinara-los
estrategicamente como administrar seu negócio para torná-lo produtivo, e,
também melhora o raciocínio de vocês, ajudando-os em outras, principalmente em
Matemática. — ele fez uma pausa. — Fiquei sabendo que ano passado aqui no
colégio teve um campeonato de xadrez e de dama e nesta sala temos a campeã no
xadrez. Parabéns. — ele disse olhando para Marcela. — E neste primeiro bimestre
trabalharemos estes dois jogos. Aqueles que não sabem jogá-los vão aprender,
porque vou ensiná-los. Aqueles que já sabem jogar venham aqui peguem um jogo e
joguem com outra pessoa.
Vincenzo se levantou foi até a
mesa do professor e pegou um tabuleiro de xadrez. — Vamos jogar gatinha?
— Quer jogar comigo? — ela
perguntou.
— Claro! — ele respondeu. — Por
que não começar o ano desafiando uma campeã?
Marcela riu. — Então se prepare
para perder gatinho!
— Veremos quem vencerá, gatinha.
— ele disse. — Você pode começar com as brancas.
Eles arrumaram o tabuleiro.
Marcela ficou com as peças brancas e ele com as pretas. Estavam mais uma vez se
enfrentando. Desta vez, por ser uma regra do xadrez, ela, por estar com as
peças brancas, começou o jogo.
Movimentou então levou o peão
do rei para a posição E4; Vincenzo pensou
um pouco e colocou seu peão do rei na posição E5.
Marcela colocou uma mecha de cabelo traz da orelha esquerda e jogou o bispo
do rei na posição B5. Vincenzo ao observar a jogada, viu
que realmente ela era uma boa jogadora e que se ele não estivesse prestando
atenção no jogo, ela venceria. Então levou o peão do bispo da rainha para
a casa C6.
— Realmente você é uma boa
jogadora, gatinha. — ele disse. — Mas achou mesmo que iria me
ganhar com o mate do pastor?
— Sim, gatinho,
eu achei. — ela respondeu sorrindo.
O jogo continuou e Vincenzo
estava ganhando Marcela por 10 peças a 5 quando ele colocou sua torre na
posição A2 de frente ao rei branco que estava
na casa A3, na B₄ havia um peão branco e
protegendo a torre preta a rainha preta na
posição E6. Quando ele colocou a torre na A2 olhou
para Marcela e disse:
— Desculpa, gatinha,
mas xeque-mate!
Muito interessante :)
ResponderExcluirObrigado!
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