Ecos de solitude

Assumo que há um descompasso de sensações que permeia meu peito nesse momento. Sinto a enorme dor que o fracasso deixa ao me atravessar. Em meu devaneio pondero se tu estás, no mínimo, sentido ou se apenas eu apostei sem ponderar os riscos. 

Disseste-me, em outrora, que o caos é um eterno erradio na tua mente. Inocentemente, pensei que poderia trazer luz ao poço de trevas em que estavas e auxiliar-te a subir. No entanto, apesar da minha corda, tu preferiste mergulhar profundamente na solidão. Perdoa-me, não posso acompanhar-te. Nessa aventura que se desdobra após o fim, deverás trilhar o caminho em solitude, pois ainda não me encontro preparado para tal jornada.

O adeus, confesso, não é fácil. Minha garganta seca, e os olhos, já não meramente marejados, deixam escapar um rio de lágrimas, testemunhas do fracasso que me atravessa. Será que ponderaste o impacto da tua decisão sobre aqueles que gravitam ao teu redor? Reconheço, talvez eu seja tóxico e egoísta por não querer te deixar partir, mas é que eras a exata metade de mim.

Amo-te eternamente e espero encontrar-te na jornada do próximo ciclo, onde possamos reviver esse sentimento lindo sem o final melancólico. Contudo, não te sintas culpado, como falei naquele lindo crepúsculo, aceito as consequências das minhas escolhas. E, apesar desta melancolia, os pequenos infinitos que vivemos foram os mais belos dessa realidade.


G.S.S. Botelho

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