A inteligência que apenas emburrece

Baseado no tema proposto pelo Enem 2018 que fala sobre o “manipulamento do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, segue um texto dissertativo-argumentativo que tratará um pouco do determinado assunto, mais especificamente no tema abordado nos Textos I e II do referido certame. 


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Após o fim dos anos 2000 e com surgimento dos “smartphones” a vida humana nunca teve tão cercada de redes-sociais. No início, sua proposta, baseada em um melhor meio de comunicação e interação que trazia para mais perto pessoas que estavam mais longe ou permitia que o homem pudesse desvendar culturas desconhecidas, era um bônus formidável à toda sociedade. Entretanto, com o passar do tempo e com o desenvolvimento de uma inteligência artificial que condiciona o usuário a consumir apenar o mais do mesmo, toda essa chamada inovação, trouxe um desserviço à comunidade.
Os então chamados “aplicativos”, que antes entretinham, passam a doutrinar e condicionar quem o usa, porque a inteligência artificial por trás destes, apenas entrega aquilo que a pessoa já está acostumada a ler, ouvir e/ou assistir.
O problema não somente é encontrado na vertente voltada ao entretenimento, como também na disseminação de notícias. Como exemplo a plataforma “Google Now”, encontrada nativamente nos “smartphones” com sistema operacional “Android”, que através dos padrões de pesquisa em seu buscador eletrônico e nos “sites” visitados, entrega ao proprietário do aparelho apenas determinadas notícias e artigos, pois acredita que irá melhor agradá-lo. Desta forma — mesmo não proposital — dificulta a chegada de conhecimento em outros assuntos, uns até mais relevantes e triviais aos seus consumidores. O referido mecanismo pode até auxiliar na propagação das denominadas “Fake News”, uma vez, que este não consegue discernir se o conteúdo propagado apresenta ou não veracidade.
Não é necessário pôr fim a esta categoria de inteligência artificial, mas, sim, aperfeiçoá-la, permitindo que usuário não só receba um conteúdo que é de seu agrado, como, também, tenha acesso a diferentes fontes de conhecimento e cultura. Como a criação de diferentes abas, assim, em uma que ele pode encontrar o que já está acostumado a consumir e em outra algo totalmente novo que venha agregar seu conhecimento. Além disto, a criação de um filtro melhor aperfeiçoado que consiga identificar notícias falsas e bloquear seu compartilhamento automático, impedindo a disseminação de matérias prejudiciais. De modo, a evitar que o ser humano mantenha-se enclausurado em bolhas que retraiam seu aprimoramento racional.

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