Brasília: o espetáculo circense
Em
1.º de abril de 1964 era instalado o regime ditatorial militar no Estado
Brasileiro, este com a desculpa de combater um possível golpe comunista.
Estávamos em meio à Guerra Fria, o globo polarizado em dois lados que corriam
para se tornarem a maior potência mundial em todos os seguimentos imagináveis.
Há quase vinte anos, a humanidade havia protagonizado uma das guerras mais
terríveis de toda a história, na qual genocídios eram ovacionados por quem se
deixava levar por ideologias de supremacia racial e política.
Nesta
época, nosso Estado ratificou diversas convenções e pactos que possuíam em sua
matéria, ideologias provenientes dos direitos humanos, que nasceu na França do
iluminismo, como Direito do Homem, e ganhou destaque após a última grande
guerra e a criação da Organização das Nações Unidas. Todavia, um regime
ditatorial tem por costume ignorar direitos, para impor sua ordem, em geral,
abusiva, com efeito, erga omnes. E no nosso caso não foi diferente, foram mais
de vinte anos que direitos individuais foram supridos, que tortura foi aplicada
e o direito a opinião cessado.
E
mesmo após toda a luta, todas as mortes em favor da democracia, não sabemos
usá-la e a colocamos em risco ao ouvir o discurso de apolíticos de essência que
ocupam cadeiras importantes do Estado. Grande parte possui até uma grande
plateia, formada por analfabetos políticos, gerados por uma sociedade que nunca
se preocupou em eleger bons representantes, que acabam cultivando esse
analfabetismo ao prestar um serviço educacional medíocre. Pessoas que se deixam
levar pelos dogmas cultivados pela mídia e por falácias gritadas em palanques.
O desserviço à educação é tão grande que vemos as pessoas falarem abominações,
como o pedido pelo fim dos Direitos Humanos, princípio, que a nós, garante não
somente o direito à vida, mas à educação, à liberdade, à liberdade ideológica e
religiosa, a se relacionar com quem quisermos, a comer, a ter livre acesso à
informação, etc.
Devemos
por fim em frases de efeito sem sentido e parar de enaltecer políticos de índoles
duvidosas. Em nosso cenário atual, não há heróis ou mitos, somente pessoas que visam retirar vantagem de um cargo
público, utilizando-se do voto de maus eleitores que trocam um poder tão grande
por pequenos escambos, que tiram a vida de inocentes em filas de hospitais
superlotados. Porque o voto ruim, que elege o político ruim, que desvia
dinheiro destinado à saúde, à educação e à segurança pública, é altamente
responsável pelas mortes ocasionadas pelas falhas destes serviços.
O
Brasil é o país do grande circo instalado em Brasília, no qual há uma trupe de
palhaços instalados em todos os poderes. Pois, usamos mal nossa cidadania e os
deixamos rasgar uma constituição que nossos avos deram sangue e garra para
promulgar. E, mais uma vez, estamos diante de mais um rasgo de nossa carta
magna. Vemos políticos audaciosos, que se orgulham das mazelas que trouxeram ao
povo candidatarem-se à presidência da república. Vemos políticos ignorantes
utilizarem-se da insegurança do povo, com um discurso falacioso sobre um
direito intrínseco a nossa vida, candidatarem-se à presidência da república.
Vemos políticos populistas, que ganharam devoção do povo, com um discurso que
subestima nossa capacidade de pensar, tentarem violar nosso ordenamento para se
candidatarem à presidência da república.
E
nessa sinuca de bico nos encontramos,
sem saber em quem depositar confiança em outubro de 2018, pois, nesse atual
cenário nos vemos sem opções e novamente obrigados usar nossa finda sabedoria
para escolher com bastante cautela o menos
pior. Todavia, mantendo sempre a esperança de dias melhores para um povo
tão rico.
G.S.S. Botelho
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