Será mesmo a "Pátria Educadora"?


Brasil, o país onde o analfabetismo é a primeira meta eleitoral dos políticos

Vivemos em um país, no qual a grande massa não é uma leitora voraz e, várias pesquisas apontam que boa parte da população nunca abriu um livro de ficção ou, até mesmo, um didático, em toda a vida. Já ouvi diversos professores falarem que a população – até mesmo meus colegas de classe – é analfabeta. Porém, como seria possível que alunos do 3º ano do Ensino Médio sejam analfabetos? Muitos respondem que o analfabeto não é aquele que sabe somente ler e escrever, o analfabeto é aquele que não sabe simplesmente interpretar um pequeno texto.
É óbvio que a interpretação é difícil, ninguém é expert e até mesmo os melhores têm dificuldades, mas para pessoas que não têm o habito de leitura, a mesma é ainda pior. Ao contrário, do que muitos pensam, a interpretação pode ser facilmente melhorada, aperfeiçoada e aprendida, é claro, que isso só se dará após um bom tempo gasto com a leitura. Muitos acreditam que não é possível aprender absolutamente nada com um bom romance, porém a interpretação não nascerá de um simples texto didático, em visto, que muitas provas usam trechos destes mesmos romances para avaliar o candidato para uma universidade.
 Então, ora, é óbvio que o governo, ou seja, nossos amados políticos e representantes querem, cada vez mais, incentivar a leitura das pessoas e em essencial a dos jovens, já que eles são o futuro do país. Errado! Eles não se importam em incentivar a leitura, ainda mais a dos jovens. É muito fácil às pessoas encontrarem em cada esquina: um bar, uma lanchonete, um shopping ou qualquer outro tipo de estabelecimento; mas quantos encontram com tanta facilidade uma biblioteca pública? E não venha falar que nas escolas há biblioteca, porque o que chamamos de “Sala de Leitura” é demasiadamente precária e obsoleta.
As escolas ganham uma verba mínima à compra de livros, o espaço, muitas vezes, não é o mais agradável e as condições da sala não são apropriadas para possuir um grande acervo. É claro, que em meio a não ter nada, o que nos é dado é bom, mas não é o melhor que poderia ser aplicado. Digo, também, não somente das salas de leitura, mas dos livros didáticos que são emprestados aos alunos e, muitas vezes, não suprem a grande demanda. Eu mesmo já estudei em uma escola, em que, os livros tinham que permanecer lá, pois não havia como distribuir para os dois turnos. Eles ficavam armazenados em um armário e quando os mesmos fossem usados, o professor tinha que buscá-los.
Em saída e em uma busca para melhorar o nível de leitura das pessoas, é claro, que o governo investirá para que a população comece a ler mais, certo? Errado novamente. A um projeto de lei do governo que quer estabelecer um preço fixo às obras durante um ano, e as livrarias só poderão dá até 10% de desconto para as obras lançadas. Você provavelmente deve está se perguntando onde exatamente é atingido com essa lei, caso ela seja aprovada no Senado. Bom, a lei promete regular o mercado e pôr uma competição mais balanceada entre as grandes livrarias e lojas de varejo contra as pequenas livrarias e bancas de jornal, porém muitas dessas pequenas livrarias têm um atendimento precário, um acervo ridículo e preços estratosféricos, já as grandes, fazem ótimas promoções e seu acervo é gigantesco. A varejista “Submarino” é um ótimo exemplo, ela é muito conhecida por suas promoções incríveis, na qual grandes obras famosas são vendidas pela metade do preço ou com 2/3 de desconto.
Pare e pense, com essa lei, ela não poderá fazer tais promoções e o único que saíra perdendo é o leitor, porque até mesmo o escritor não ganhará nada com o aumento do preço das obras. As editoras pagam por livro até 30% do preço de capa, ou seja, “o preço de atado”. E o único que irá conseguir enriquecer mais são os comerciantes (pequenos) e a própria editora, talvez. Os leitores, ou seja, você, será o mais prejudicado, ainda mais se for um adolescente que depende da mesada dos pais para poder comprar um livro, que poderá sair por 30, 40, 50 reais ou mais.
Concluo, que se essa lei for aprovada o número de pessoas que possuirão o hábito de leitura irá cair e as cópias piratas das obras irão aumentar, ou seja, o escritor saíra perdendo e o número de analfabetos continuará em uma reta crescente. Creio que a postura do governo deva ser outra, deveria haver um projeto que barateasse as obras e até fizesse campanha para novas edições de clássicos. As lojas pequenas deveriam parar de encarecer um produto e procurar sempre trazer novidades, buscando parceria com as editoras e autores. E claro, que aqueles que já possuem um hábito de leitura procurar incentivar o colega a fazer mesmo, então, somente assim, nós podermos dizer que sim, somos uma Pátria Educadora.  


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