Resenha: Dragões de Éter: Livro I

Nova Éter é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga.

Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas.

Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer...

 Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real.

Resenha:


Dragões de Éter, do escritor brasileiro Raphael Draccon, contará a história de um mundo fantástico, onde, há alguns anos, foi palco de uma guerra terrível entre homens e bruxas e, em meio a ela, ascendem três novos Reis, vindos da plebe. E, o maior de todos eles, Primo, acredita estar vivendo tempos de paz, mas isso tudo muda de uma forma avassaladora.

A narrativa da história acontece em terceira pessoa e há alguém contando diretamente para o leitor tudo o que acontece. Em algumas partes, da mesma, este narrador conversa com o leitor, explicando-o algumas situações, características e, até mesmo, as leis daquele reino. Essa escolha de narrativa, por parte do autor, foi magnífica, pois se enquadra em uma característica da história, que, por parte não é inovadora, mas torna-se espetacular. Dragões de Éter é uma releitura de contos de fadas já muito bem consagrados, porém é diferente, em visto, que o escritor descontrói toda a história e reconstrói uma nova e muito mais fantástica. Por isso, a escolha da narrativa não poderia ser a melhor, pois a sensação passada ao leitor é de que há alguém narrando um conto de fadas para nós, como os contadores de cordel ou, até, seus pais que passavam alguns minutos da noite lendo para você antes de dormir.

Os personagens, por mais que não novos, são originais. O escritor dá, a cada um, uma nova personalidade única. João e Maria, A Chapeuzinho Vermelho, o Caçador, a Branca de Neve, etc. são elementos da mesma história, tendo cada uma sua importância e relevância. Não há um só que fique destacado, todos são tratados, pelo autor, da mesma forma e tornam-se protagonistas em seus devidos momentos. Há a presença da cultura pop-contemporânea dentro, dos mesmos, e, cada um é deveras carismático. Impossível o leitor, que goste de fantasia e se apegue a história, não ficar encantado ou ter certa afinidade com algum deles. Outro ponto, que deve ser ressaltado, é a ótima descrição das cenas, lugares e pessoas, Também, a evolução de cada personagem que cresce ao longo da história e amadurece com seus feitos.

Raphael Draccon nos apresenta uma história promissora que se sustenta sozinha, por mais que seja uma trilogia. O primeiro livro tem sua história desenvolvida e finalizada no próprio, o leitor não sentirá a sensação de ter terminado o livro pela metade, como acontece em outas trilogias. Contudo, o final do livro deixa um pouco a desejar. Tudo acontece de forma muito rápida e na parte onde o autor deveria ter se apegado mais aos detalhes e explicado melhor alguns acontecimentos, falha e o mesmo infelizmente peca. Mais dois capítulos, no final, para ilustrar alguns acontecimentos, só deixariam a história mais rica.

É sem dúvida uma ótima história com ótimos personagens, boa narrativa e bom desenvolvimento. O primeiro livro torna-se uma leitura prazerosa e gratificante, com isso, o mesmo, ganha a nota 9,0 e obviamente é recomendável a qualquer amante de literatura fantástica, ainda mais, que, esta incrível literatura fantástica é brasileira também. 

Pontuação: 
★★★★

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