Sr. Primeiro de Abril

     Lá vai o Primeiro de Abril, mas não pense que é o dia, porque estou falando do Sr. Primeiro de Abril. Um homem muito... Mentiroso. Ele está descendo a rua todo arrumado, com certeza tem algum compromisso marcado.  
     Sua esposa, coitada, a Sra. Jacinta de Abril é a mulher mais corna do Brasil. Sua galhada é tão grande que atrapalha a circulação dos satélites, contudo ela também é a mais burra entre milhões de galáxias. Ele sempre volta pra casa, bem tarde, e com uma história já na ponta da língua, porém a tonta nem desconfia. Ela mal sabe que sua melhor amiga já "ciscou" ali...  
     Não está acreditando que o cabra só mente para a esposa né? Como todo bom mentiroso, até para o chefe, ele já veio de prosa. Vive faltando o serviço e a cada semana enterra um parente, há muitos anos, já falecido. Ele passa o dia no boteco, enchendo a cara e pegando qualquer rapariga que lhe faça uma "graça". E a galhada da Jacinta só aumenta. Tenho pena dela, por sempre acreditar na história desse canalha, mas não posso fazer nada, sou só o narrador.  
     Quando pequeno, ele tentava enganar a própria mãe. A coitada, que era uma pobre dona de casa, muitas vezes, não caia nas histórias que ele criava e para castiga-lo lhe dava uma boa pisa, mas por aí não parava, ela o mandava ficar no milho, por horas, de plantão. Até para a professora da escolinha, ele já mentiu. Mas seremos sinceros, isso quem já não fez?  
     Em uma prosa com o Pinóquio, onde, ele o contava alguns de seus causos, o menino de madeira o chamou de mentiroso. Entretanto, Primeiro não retirou sua palavra e afirmou que tinha provas do que contava. O boneco não acreditou, mas se redimiu. Por aí não parou, até para o padre "lorotas" ele já falou. O confessionário, coitado, nunca foi palco de algo tão inventado.  
     Também não irei só falar mal do sujeito,  ele é um homem... Espere que irei achar alguma qualidade, mas desse jeito fica difícil,  porque até pro dono do boteco, o cara de pau já inventou história. Já disse que precisava ir pra casa correndo, pois a dor de barriga era braba. O coitado do Manuel, dono do bar, acabou deixando conta pendurada.
     Mas já me lembrei, Primeiro de Abril é pontual. Sempre chega no lugar marcado na hora certa, ainda mais, se for sobre dinheiro ou se tratar de uma rapariga a sua espera. A Jacinta também nunca reclamou, mesmo que ele chegue a casa tarde, ainda está cheio de amor. Sim, ele é um cara de pau, mas nunca desmarcou uma pelada ou aquelas cervejadas com os compadres, no boteco do Manuel claro.
     E lá vai ele para seu encontro. Eu também despeço-me por aqui,  pois sei que se eu falar mais, vocês vão achar que é tudo mentira ou um bando de invenção minha.

Autor: G.S.S. Botelho

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