Cartas: O Adeus
Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2014.
Queridos
familiares,
Vocês, já
ouviram aquele ditado que diz que ao olharmos para o céu à noite é o mesmo que
olhar para o passado? Bom, é assim que eu me sinto neste momento. Eu estou
olhando para o passado e vendo tudo que já vivi! É impossível não comparar o
tempo com um passarinho, ele é livre e adora voar.
Eu consigo
ver ao olhar para o céu, hoje à noite, cada instante da minha vida. É muito bom
ver minha infância, minha adolescência e a minha vida adulta. É muito bom agora
na velhice lembrar-me: da vida boa que eu tive, da minha bela esposa Luci que
já se foi infelizmente, do nascimento de meus filhos, netos e até bisnetos.
Depois de 93 anos de vida, olhar o passado é o mesmo que assistir diversos
filmes. Eu não quero que vocês fiquem tristes com a minha partida, eu sei
que será um vazio que deixarei no coração de vocês, mas já chegou a hora de ir.
Ao sonhar como a Luci na noite passada, eu percebi que chegou a hora de dizer
adeus. Eu sei que ao fechar os olhos nessa noite, eles nunca mais iram se
abrir, mas eu sei que não irei sofrer e não irá doer. Não pense que eu me
matei, porque não é isto que eu fiz. É que chega uma hora na vida que nós
sabemos o momento de nossa partida. Eu sei que irei para um lugar mais bonito e
melhor.
Vivam meus
queridos, não deixem de amar e não vivam o amanhã para esquecer o hoje. Vivam o
hoje, pois o tempo é como um pássaro e não voa para trás. Passar o hoje
pensando no que irá acontecer amanhã e como sonhar como um capítulo que não foi
escrito. Meus filhos e netos, um dia nós iremos nos rever e o para sempre se
tornará realidade, contudo hoje eu devo caminhar para eternidade, devo ficar ao
lado da minha querida Luci e cuidar de vocês de uma forma mais completa. Até
qualquer dia, e nunca se esqueçam de que eu amo vocês.
Com muito
carinho, Vicente.
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