Halloween's Party: A Festa Do Milênio
Capítulo Um
O sol já estava para se pôr na Transilvânia e a primeira noite do mês de outubro se iniciaria. Astolfo terminava de arrumar o castelo, pois logo seu dono acordaria. A lua crescente já dava sinal de vida no céu arroxeado com um leve tom de laranja no horizonte.
Astolfo desceu até a adega,
pegou uma taça de prata, enche-a até a metade com vinho. Depois caminhou até o
outro lado daquele salão, onde havia um freezer, abriu-o, pegou uma bolsa de
sangue e tornou a encher o restante da taça com tal liquido. Colocou a taça em
uma bandeja e começou a descer as escadarias em direção ao subterrâneo do
castelo onde ficava uma cripta.
Astolfo levava na mão uma tocha
e quando chegou à cripta a colocou na parede. Ele ligou o interruptor que
acendeu todas as luzes da longa escadaria e com cuidado entrou. A cripta era
enorme, porém, além do caixão que havia no centro e da mesinha de prata ao seu
lado, não havia mais nada ali dentro. Astolfo colocou a bandeja na mesinha e
com cuidado abriu o caixão. Ao abrir ele se deparou com o caixão vazio. Havia
algo errado ali. Dentro do caixão era para estar dormindo Conde Drácula um dos
mais poderosos vampiros de todos os tempos. As luzes da escadaria que
iluminavam a cripta se apagaram, um vento agonizante que não deveria existir
nos subterrâneos apagou a tocha, e tudo virou um terrível breu. Astolfo fechou
os olhos e assim que puxou o ar para dentro do seu corpo sentiu a presença de
um ser a sua frente.
- O senhor não cansa desses
joguinhos, Milorde? – Astolfo perguntou sem emitir nenhuma emoção, mas ele não
obteve nenhuma resposta além de uma alta gargalhada. – Vejo que não! – Astolfo
concluiu e tornou a acender a luz.
- Meu querido servo há quando
tempo você já trabalha para o terrível Conde Drácula?! – Drácula perguntou
fazendo uma ênfase no seu nome.
- Há muitos anos, Milorde. –
respondeu. – Agora já sou um velho, gordo e barrigudo com poucos cabelos
brancos na cabeça.
- Ah Astolfo! – murmurou
Drácula. – Deixe de ser dramático! Passaram-se décadas e você ainda não
consegue mudar esse seu jeito de ser. – ele completou.
- Cinquenta anos para ser exato,
Milorde!
- Após centenas de anos nesta
terra, cinquenta anos não é nada!
- O senhor diz isso porque é imortal!
– Astolfo ironizou.
- E posso torna-lo imortal
também... – Drácula falou. – É você pedir meu companheiro!
- E ter que atura-lo até o fim
dos tempos? Dispenso!
- Assim você me magoa! – Drácula
disse colocando a mão no peito esquerdo e fingindo estar triste.
- Pensei que vampiros não
tivessem sentimentos?! – disse Astolfo fingindo estar chocado.
- Touché! – Drácula respondeu
com um sorriso no rosto e estalando os dedos da mão direita.
Astolfo olhou para ele com um
olhar bem sério. – Aqui está seu drink, Milorde, eu já irei para meus
aposentos.
- Ora, eu não me lembro de tê-lo
dispensado!
- E eu não me lembro de receber
salário para servi-lo! – Astolfo respondeu com bastante ironia.
- E então por que você ainda me
serve?
- Porque se eu tentar fugir você
irá me caçar até no fim do mundo e me arrasta para cá novamente. – Astolfo o
respondeu irritado.
Conde Drácula riu. – Ah, Astolfo
como você é hilário!
Astolfo olhou sério para ele. –
Qualquer coisa não me chame.
- Mas vou chama-lo. – Drácula
respondeu e se alongou. – Agora vou para minha caçada noturna. Até volta
Astolfo. – ele concluiu. Então se transformou em um morcego e saiu batendo as
asas pela calada noite.
Astolfo fechou a porta da cripta
e subiu as escadarias até o salão principal do castelo. Depois subiu as escadas
para o segundo andar e foi para seu quarto pelo corredor esquerdo. Assim que
subiu e entrou em seus aposentos ele retirou a roupa, tomou um banho, vestiu o
pijama e deitou em sua cama para dormir. Ele conseguiu dormir por alguns
instantes e até sonhou, mas não conseguiu manter seu sono por muito tempo.
O relógio marcava 03h47min
quando Drácula ainda em forma de morcego entrou pela janela e se transformou em
homem novamente.
- Acorde Astolfo! – Drácula
gritou e se sentou na poltrona que ficava embaixo da janela.
Astolfo acordou com o susto,
passou a mão no rosto limpando os olhos e encarou Drácula. – Que horas são? –
Astolfo perguntou ainda com sono.
- Três e quarenta e sete da
manhã, pelo o que diz seu relógio. – Drácula respondeu.
- Vá dormir Milorde! – exclamou
Astolfo. – Está tarde!
- Correção! – sinalizou Drácula.
– Está cedo, pois como pode mostrar o relógio em seu criado-mudo, são três
horas e quarenta e oito minutos da manhã, ou seja, está cedo.
- Aaaaaaaaaah!!! – Astolfo
gritou. – Deixe-me em paz. – ele concluiu e depois colocou a cabeça na cama e a
cobriu com o travesseiro.
- Levante Astolfo e deixa de
graça!
Astolfo retirou o travesseiro do
rosto e se sentou na cama. – O que o senhor deseja? – ele perguntou.
- Eu lembrei que iniciamos o mês
de outubro... E o que tem de especial no mês de outubro, querido Astolfo?
- Hum... – Astolfo pensou. – O
Halloween, Milorde? – ele perguntou.
- Exato! – Drácula gritou. – Um
dia onde as pessoas se vestem como criaturas mágicas ou qualquer outra coisa e
vão para festas, ou no caso, das crianças vão pegar doce. Muitas pessoas se
vestem como eu, Astolfo, e isso me intrigou.
- Como assim?
- Ora! Eu sou um dos personagens
ícones do Halloween e nunca o comemorei. Então estava pensando que está na hora
de comemora-lo.
- Meu Deus! – Astolfo disse
assustado. – Não me diga que o senhor está pensando em ir para rua pegar doces
de porta em porta?
- Esse ano não! – Drácula
respondeu e Astolfo olhou para ele perplexo. – Esse ano eu decidi dar uma
festa, uma festa não, a festa! Intitulada: “A Festa Do Milênio!”. – ele
completou com brilho nos olhos.
- A festa do milênio?
- Sim! Irá ser a maior festa de
todos os tempos. Irei convidar diversas criaturas mágicas que existem no mundo.
Agora descanse lacaio, pois assim que você acordar nós teremos muitas coisas
para fazer. – Drácula respondeu, e então se transformou em um morcego e saiu
voando pela janela.
Astolfo conseguiu enfim dormir
em paz e quando acordou o relógio já marcava 10h30min. Ele levantou, se arrumou
e desceu para cozinha para tomar seu café da manhã. Depois que comeu ele seguiu
então para o salão de baile. Lá já estava o Conde Drácula com um caderno na
mão, as janelas estavam fechadas e tampadas impedindo a entrada de luz. Porém, as
luzes estavam acesas e o lugar bem iluminado. Exceto a cozinha e o quarto do
Astolfo, todos os lugares do castelo estavam com as janelas tampadas.
- O que o senhor está fazendo? –
Astolfo perguntou ao entrar no salão. – E para que todas as janelas do castelo
lacradas?
- Quer que eu morra queimado
deixando-as abertas? – Drácula perguntou irritado. – Às vezes me pergunto se
você faz isso para me irritar ou se realmente é burro. – ele concluiu com
bastante ironia.
Astolfo riu. – Até que não seria
uma má ideia a sua morte. – ele riu novamente. - Mas o que está fazendo?
- Planejando como irá ser a
decoração da festa. – Drácula respondeu. – Ah, e é claro que você vai à cidade
comprar tudo. – ele falou e Astolfo não respondeu. – Eu também irei contratar
um buffer preparar e servir a comida.
- Pensei que o senhor fosse
chamar somente criaturas mágicas? – Astolfo disse intrigado.
- Os convidados irão ser
criaturas mágicas, mas os garçons e cozinheiros não.
- E o senhor já sabe como vai
fazer vários humanos servirem dezenas de monstros sem saírem correndo?
- Pensei que fosse uma resposta
obvia?! – Drácula respondeu e sorriu. - Vou hipnotiza-los! Se for necessário é
claro, pois eles poderão pensar que são pessoas fantasiadas.
- O senhor é realmente um
monstro!
- Pare com o drama Astolfo! –
Drácula falou irritado. – Não vou mata-los! Só vou obriga-los a me servir
durante uma noite e depois estarão dispensados. – ele fez uma pausa e refletiu.
– É claro que um ou outro pode se perder no caminho, mas isso é um mero detalhe.
Astolfo ficou irritado com a
ideia de Drácula em hipnotizar humanos para servi-lo durante sua festa idiota.
A ideia dele de pôr alguns humanos perto de monstros sanguinários e
descontrolados só poderia ser um absurdo. Então para não prolongar a discussão,
que duraria dias, ele decidiu mudar de assunto já que sabia que Drácula não
mudaria de opinião.
- Já decidiu a lista de
convidados? – Astolfo perguntou fingindo estar interessado.
- Eu estava pensado em algumas
pessoas. – Drácula respondeu e arrancou uma folha do seu caderno. – Pode olhar.
– ele disse e entregou a folha para Astolfo.
Astolfo começou a ler a folha e
percebeu que havia muitas pessoas. Era uma lista com mais ou menos cem pessoas,
ou melhor, mais ou menos cem criaturas mágicas. Entre elas estavam um clã com
nove lobisomens; um clã com seis vampiros; algumas fadas, sereias e ninfas; uma
irmandade de bruxas e as famosas bruxas de Salém; alguns fantasmas; uma aldeia
de trolls e ogros; e alguns zumbis. Além de algumas figuras especiais.
- Aonde você conheceu todas
essas aberrações? – Astolfo perguntou assustado.
- Eu tenho mais de mil anos de
vida e você ainda me pergunta como conheci todos eles? – Drácula respondeu
rindo.
- Alguns aqui eu nem conheço...
- São criaturas de diversos
países. Contudo eu ainda estava pensando em quem realmente chamar. – ele
respondeu serio. – Essa festa será um espetáculo!
- Vejo que o senhor está
bastante animado, Milorde... – Astolfo disse morrendo de ódio por dentro.

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