De Repente... Pai

sala é branca e bem iluminada, mas para mim no momento ela está um pouco escura. Minha mulher segura a minha mão com bastante força, contudo não posso culpa-la. A dor que ela está tentando transmitir para mim é bem maior. Eu consigo ouvir o tic-tac do relógio, ele me irrita e me deixa mais nervoso. Só consigo sentir medo e preocupação fazendo a angústia crescer no peito. Eu sei que foram nove meses para me preparar, mas não estou pronto. Nós nunca estamos! Já elas no momento que descobrem passam a estarem prontas.
Ela contraiu o rosto de tanta dor e o suor está escorrendo em sua testa. Eu e uma enfermeira secamos, mas ele sempre volta. “Meu Deus onde o senhor foi me colocar. Eu não sirvo para este papel. Vou acabar decepcionando-a e magoando-a.” penso. Daqui a alguns instantes “falhar” não estará mais em meu dicionário. Passarei a ser responsável por mais outra vida. Mais alguns minutos se passam. Eu sei que são minutos pelo tic-tac infernal do relógio, mas parecem horas. Então ela aperta minha mão com toda a força que lhe resta e tudo fica em um completo silêncio. Até que um barulho surge ao fundo, eu o conheço, mas não consigo identifica-lo.
A enfermeira surge na minha frente. Ela está gritando alguma coisa, meu coração consegue entender, mas meu cérebro não. Eu olho para a minha esposa e ela está com um bebê em seus braços, mas parece um boneco. É um menino pelo o que disse a enfermeira. Saudável e enorme. O sorriso no rosto dela é enorme. Consegue ocupar os dois lados do rosto. De todas as vezes que já olhei para ela, essa é a vez em que ela está mais bonita e radiante. Algumas pessoas dizem que só se é pai quando se segura o filho pela primeira vez.
Eu me aproximo deles, beijo a testa dela e acaricio a dele com o polegar. Ela me pergunta se eu quero segura-lo e em três, dois, um... Virei pai. Ela diz para segurar a cabecinha dele. Olho seu rostinho pequeno. É tão lindo... Claro que ele a puxou. Ele estica o bracinho e depois o contrai novamente. Eu não quero entrega-lo a enfermeira, mas ela diz que precisa limpa-lo. Com um pouco de relutância eu o entrego. Alguns minutos se passam até que ela retorna com ele. Ele esta vestindo a roupinha que nós compramos. Ela o entrega para nós. Agora ele é todo nosso, só nosso. Sei que ele acabou de nascer, mas já estou louco para vê-lo andar, ouvi-lo falar e o mais importante ser chamado de papai. 

Fim!

O blog TV Eugênio deseja a todos os pais e mães que fazem esse papel um feliz dia dos pais. Que traga muita saúde e prosperidade a vocês. Não se esqueçam de comentar e clicar em curti aqui ao lado para seguir o blog.  

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