Do Que Vale Amar?

Capítulo Dezesseis: O Acordar   





Ao ouvir aquela voz rouca em sussurro chama-la, Laryssa imediatamente virou-se e ao virar encontrou Leandro com os olhos esbugalhados e um pouco vazios. Leandro ainda estava pálido, e tremulo, tentava novamente falar, mas o nervosismo o impedia. Laryssa aproximou-se de Leandro, começou a tocar seu rosto e ao mesmo momento que chorava também ria.
Laryssa saiu pelos corredores do hospital chamando, melhor dizendo, gritando pelo médico e por enfermeiras. O médico assim que ouviu Laryssa gritar, veio rapidamente ao seu encontro. Laryssa contou a ele o que acabara de presenciar e o médico correu para o quarto de Leandro. Quando o médico correu para o quarto de Leandro, a mãe dele chegou ao andar.  .
- O que está acontecendo? - a Sra. Guimarães perguntou a Laryssa.
- Ele acordou! - Laryssa respondeu abraçando-a.
A Sra. Guimarães correu para o quarto onde o filho estava, mas o médico barrou-a na entrada. Ela ainda tentou conversar com ele, porém, não houve jeito e ele não permitiu que ela entrasse.
Após alguns longos minutos, enfim, o médio voltou trajando um belo sorriso no rosto.
- Familiares de: Leandro de Almeida Guimarães? - perguntou o médico.
- Sim?! - a Sra. Guimarães perguntou esperançosa.
- O quadro clínico do Sr. Leandro é... - o médico fez uma pausa e depois abriu um sorriso. - Um dos melhor que eu já vi em anos. Ele encontra-se acordado, mas está com algumas dificuldades para falar, contudo, está sentindo muito bem seus membros.
- Ele irá ficar com alguma sequela? - Laryssa perguntou.
- Isso eu só poderei dizê-las com o tempo e depois de alguns exames, entretanto, posso dizer que ele curou-se como um milagre. - o médico respondeu. - Vocês já podem vê-lo, mas tentem não cansa-lo, por favor. - ele completou e depois saiu. 
A Sra. Guimarães correu para o quarto onde estava o filho e logo atrás dela estava Laryssa. Quando entraram no quarto, Leandro estava acordado, olhou para elas e sorriu. Laryssa ficou na porta, mas a Sra. Guimarães correu e abraço o filho. Ela abraçava-o e beija-o enquanto debulhava-se em lagrimas. Leandro gemeu de dor enquanto sua mãe o apertava.
- Qu-Quan-Q-Q-Quanto tem-tem-tempo eu... - disse ele ofegante.
- Quanto tempo você dormiu? - Laryssa perguntou.
Leandro confirmou com a cabeça.
- Três semanas e meia. - Laryssa o respondeu.
A mãe de Leandro continuava a chorar, Laryssa aproximou-se dele e o beijou na testa.
- Leo, você lembra quem fez isso com você? - Laryssa o perguntou.
Leandro então ficou em silêncio por um tempo, e então reviu tudo o que havia acontecido com ele naquela noite, mas olhou para Laryssa e a respondeu:
- N-não.
Assim que o Leandro a respondeu, Laryssa saiu do quarto e ligou para Marcela, mas a amiga ainda não havia chegado ao Brasil e ela decidiu que iria ligar outra hora. Ela estava muito feliz, uma felicidade tão grande que não cabia em seu peito. Ele estava acordado e aparentemente bem. E tudo de ruim que apartava seu coração nessas últimas semanas havia desaparecido completamente, nem mesmo a terrível lembrança do pai se seu filho seria capaz de desanima-la.    

●●●

No dia seguinte, assim que Marcela acordou e ligou o telefone, viu as ligações de Laryssa e retornou para amiga que no mesmo instante contou a ela que Leandro havia acordado. Marcela não pensou duas vezes arrumou-se e foi direto ao hospital.
No hospital, Marcela o fez companhia a tarde toda e assim que anoiteceu voltou para casa. Ela também estava muito feliz com a recuperação do amigo. Ele era como um irmão e vê-lo bem a deixava bem também. 
A semana passou e Leandro já estava fazendo foniatria, pois os únicos problemas que ele havia digerido com o coma foram uma gagueira, algumas dores de cabeças muito fortes e uma labirintite que às vezes fazia-o desmaiar ou cair quando levantava de repente de um lugar. Cinco dias depois que Leandro começou a fazer foniatria, sua gagueira começara a diminuir bem levemente, porém ficava se a bravava quando ele estava nervoso. Marcela então tirou o dia para visita-lo outra vez.
- Como você está? - Marcela perguntou entrando no quarto.
- E-E-Estou Me-Melhor, obrigado. - Leandro respondeu sorrindo. - O-O V-Vincenzo não vai f-ficar ch-chateado por vocês está a-aqui comigo?
- Não, e ele também tirou o dia para ficar com o pai que logo voltará a trabalhar.
Leandro sorriu.
- Como é fazer foniatria? - Marcela o perguntou com um sorriso. 
- É-É L-Legal.
- Lally passa muito tempo aqui com você? - Marcela perguntou com segundas intenções.
- F-Fica, m-mas não dess-ss-sse j-jeito. - Leandro a respondeu nervoso.
- Leh, você não se lembra de quem bateu em você?
Leandro inspirou, olhou-a nos olhos e pensou se realmente queria que todos soubessem da covardia que ele havia sofrido. Ele não tinha dúvidas nenhuma que se fosse somente ele e Erick naquele beco a situação naquele momento seria totalmente diferente. Contudo, ele percebeu que não contar era agir como um covarde e impossibilitar que a justiça fosse feita. Então ele a olhou calmamente e respondeu:
 - L-Lembro.
- Quem?! - Marcela perguntou curiosa. 
- E-E-E...
- E?! - ela perguntou mais nervosa ainda.
- E-Erick.
- O Erick da minha escola? O ex da lally? - ela perguntou incrédula. 
Leandro confirmou com a cabeça.
Assim que ele confirmou Laryssa entrou no quarto e abraçou Marcela. As duas passaram a tarde fazendo companhia a Leandro que ainda não havia recebido alta dos médicos e nem previsão de quando isso poderia acontecer. Porém, Marcela passou a tarde toda pensando no que Leandro havia contado a ela.

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Erick havia se modificado radicalmente  no mês que havia passado. Começou a tomar anabolizantes, e seus músculos começaram a crescer depressa. Além disto, ele fez diversas tatuagens pelo o corpo com sinais grotescos, desenho de animas e etc. Porém, a mais marcante foi o nome "Cela" que ele mandara escrever em seu pulso esquerdo. Erick que já andava com alguns traficantes, porém, passou a fazer parte do trafico também.
As aulas voltaram e Erick foi para a escola, vestindo uma calça rasgada em varias partes, uma blusa totalmente amassada e o cabelo desgrenhado. Assim que passou pelo portão todos o olharam incrédulos. Muitos até acreditaram que era um estudante novo que lembrava vagamente do Erick. 
Marcela que não havia retirado da cabeça a historia que Leandro contara, foi na primeira oportunidade que teve tirar satisfações com Erick. Ela esperou-o enfrente a porta da sala e quando ele passou segurou-o pelo braço.
- Oi cela! - ele disse com um sorriso quando percebeu quem o segurara. - Quer sentir meu muque?
Marcela riu ironicamente.
- Claro que não, idiota! Só quero te perguntar uma coisa.    .
- Vai dizer que decidiu deixar o "viadinho" do Vincenzo e vai se entregar a mim? Porque juro que sou louquinho por esse teu rabinho.
Marcela olhou para ele assustada e enjoada. E ele começou a pressiona-la contra a parede.
- Me solta Erick! - Marcela ordenou, mas Erick continuou a pressiona-la e começou a beijar o pescoço dela. - Me solta! Me solta! - Marcela gritou.
Foi no instante que Vincenzo apareceu, colocou a mão no ombro de Erick e apertou, fazendo Erick virar-se para ele.
- Você não escutou ela falar para você solta-la? - Vincenzo falou e depois o socou.
Erick acabou soltando Marcela e caindo no chão. Vincenzo sentou-se na barriga de Erick e tornou a soca-lo.
- Nunca mais toque nela! - Vincenzo gritou enquanto socava-o. 
Erick conseguiu soltar-se de Vincenzo e tentou bater nele, mas Vincenzo desviava de todos os golpes. Vincenzo tornou a soca-lo com vários golpes no rosto e na barriga. Toda vez que Erick tentava golpeá-lo, Vincenzo desviava.
Marcela então o puxou, e outro menino - bem mais forte e já com barba na face - puxou Erick. Marcela então levou Vincenzo trás da escola e eles sentaram embaixo de uma árvore.
- Onde você aprendeu a lutar daquele jeito?! - Marcela perguntou assustada.
- Quando eu morava na Itália eu praticava boxe e há três meses eu voltei a fazer as aulas. - Vincenzo falou nervoso. - Mas isto não interessa quero saber o que você estava fazendo perto daquele BABACA? - Vincenzo perguntou, gritando ao falar babaca.
- Eu precisava pergunta a ele uma coisa. - ela o respondeu.
- Perguntar o quê a ele? - Vincenzo perguntou alterado.
Marcela então contou a Vincenzo o que o Leandro contara a ela e falou para ele o que queria saber de Erick.
- Você é maluca! - Vincenzo gritou. - Se realmente o Erick bateu nele, você pode está em perigo por saber. E ainda vai perguntar isso a ele.
- Eu não cheguei a perguntar.
- Menos mal, mas escute aqui eu quero te ver no mínimo a cinco metros de distancia dele.
- Vincenzo...
- Não gatinha, não adianta tentar se explicar! Eu não quero te ver nunca mais perto dele. Porque se ele voltar a machuca-la eu o mato.
Vincenzo a segurou pelo braço e os dois foram embora. Vincenzo foi o caminho todo bufando de ódio, mas mesmo assim abraçou Marcela e a levou para casa. Marcela sabia que ele só estava tentando protegê-la e não o culpava pela atitude um pouco grosseira.  

■■■

À tarde Marcela foi com Laryssa fazer a primeira ultrassonografia. Laryssa estava completando dois meses de gravidez. Quando foi por volta de uma hora da tarde as duas meninas saíram de casa e foram para o hospital. Quando chegaram ao hospital rapidamente foram atendidas.
A médica mandou Laryssa tirar a blusa, passou um gel em sua barriga que havia a arrepiado e começou o exame.
- Olhe esse é o coraçãozinho dele batendo. - disse a Medica apontando para o monitor que indicava a frequência cardíaca do bebê.
- E qual é o sexo, doutora? - Laryssa perguntou esperançosa.
- Ele ainda é muito pequeno para vermos o sexo, mas logo poderemos saber. - disse a médica sorrindo.
Depois de verificar os batimentos cardíacos do bebê e da mãe a médica ainda verificou a pressão de Laryssa.
- Sua pressão está ótima e está tudo bem com o bebê, você está tendo uma gravidez muito saudável. - disse a médica elogiando-a. - Porém, peço que se alimente bem, de nenhuma maneira use drogas e não beba. Também vou te recomendar umas vitaminas e pedir para que faça alguns exercícios físicos leves.
- Claro que sim, doutora. - Laryssa falou com um sorriso.
 A médica receitou varias vitaminas e as duas voltaram para casa com a alegria em saber que tudo ocorria bem com o bebê.

■■■

A noite acabara de cair quando Vincenzo chegou a casa completamente suado após uma tarde de treino de boxe. Quando entrou, ouviu uma conversar bem alta vindo da cozinha e foi verificar para ver o que era. Quando entrou no cômodo, viu seus pais discutindo e olhou para eles surpreso.
- O que está acontecendo? - Vincenzo perguntou assustado.
- Pergunte ao seu pai, amor. - Ana respondeu.
- O que foi pai?
- Eu recebi uma proposta ótima de emprego. - Lorenzo o respondeu.
- Que bom.
- Não é bom, Vincenzo. - Ana falou séria.
- Por quê?
- Filho nós vamos nos mudar para a Itália! - Lorenzo o respondeu.

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