Do Que Vale Amar?
Depois daquela noite,
tudo mudou para Laryssa, ela não se sentia mais a mesma, ela não era mais a
mesma. No início, um sentimento de culpa e de medo ocupava seu peito, mas isso
passou nos dias que se sucederam. Erick, por outro lado, sentia-se maravilhoso,
ele havia conseguido o que queria e queria realizar novamente.
Já
Vincenzo e Marcela estavam meio que “juntos”. Em um “quase namoro”. Vivam
juntos, iam para o cinema, passavam horas trocando mensagens de texto pelo
celular (havia dias que eles conseguiam passar das mil mensagens), sentiam
ciúmes um do outro, mas não tinham coragem de dar o passo e pedir ao outo em
namoro.
Em
uma tarde de terça-feira, enquanto Vincenzo jogava futebol com os amigos,
Marcela, Leandro, Laryssa, Marcos, Thayza e Pietro ensaiavam para a grande
apresentação.
—
Lindinhos, tenham mais concentração! Vocês estão muito descoordenados. —
disse Luciana e todos pararam. — Cinco minutinhos de descanso e já
voltamos.
Todos
caminharam até suas mochilas. Marcela pegou seu celular e voltou a trocar
mensagens com Vincenzo.
Vincenzo: Tá fazendo o que, gatinha?
Marcela:
Estou
na aula de dança. A ponto de enlouquece. E você o que está fazendo por aí?
Vincenzo: To indo pro
banho. Eu tava jogando bola com os moleques, daí to suadão.
Marcela: Aí que nojinho
seu porquinho!
Vincenzo: Sou limpinho,
vem cá cheirar para você ver.
Marcela: É porquinho
sim. Sai daí, deve tá todo fedido.
Vincenzo: Sou não.
Marcela:
É
sim. Depois a gente se fala tenho que voltar para a aula. Beijos, porquinho.
Vincenzo: Até mais tarde, gatinha.
Beijos!
Enquanto
Marcela se divertia trocando mensagens com Vincenzo, os outros olhavam
para ela atentamente.
—
Consegue deixar esse telefone de lado e falar conosco ou está difícil? —
perguntou Leandro com um sorriso.
—
Ih, Léo, esquece! Ela deve estar falando com o namorado. — disse Laryssa.
Marcela
deu uma risada de deboche e a respondeu. — Eu não tenho namorado!
—
Desculpe, amiga, mas depois que você passa das mil mensagens diárias com alguém
já não é mais amizade. — Laryssa a informou.
—
Isto não tem nada a ver. — retrucou Marcela. — Troco mais de mil mensagens por
dia com você também.
—
Mas, somos amigas, já você e Vince são praticamente namorados. Só falta
se pegarem.
Todos
riram.
—
Deixa de bobagem! — Marcela falou envergonhada. — Porque ele e eu somos somente
amigos.
—
Como ele é, cela? — Thayza perguntou. Uma menina de olhos azuis, cabelos
longos e loiros, pele branca e 1,51 m de altura.
—
Aqui! — Marcela falou enquanto mostrava uma foto de Vincenzo.
—
Viu! Tem até foto dele no celular. —
disse Laryssa.
Thayza
pegou o celular da mão de Marcela e ampliou a foto para observar Vincenzo com
mais detalhes. Na fotografia, o rapaz estava em uma cabine de avião, possuía um
sorriso largo e um brilho indescritível nos olhos.
—
Ah! — exclamou Thayza. — Gato desse jeito até eu teria.
Marcela
ficou vermelha com o comentário feito por Thayza e levemente enciumada. —
Também não é para tanto. Ele é arrumadinho apenas. — Falou tomando o
telefone da mão da colega.
Laryssa
gargalhou.
—
Calma, celinha. Não precisa ficar com ciúmes. — Thayza riu.
—
Lindinhos, vamos continuar? — Luciana perguntou ao chegar à sala. Ela
havia falado em apenas cinco minutos de intervalo, porém levou um pouco mais de
tempo para retornar.
Eles
não responderam, direcionaram-se para o centro da sala e voltaram a ensaiar.
Depois
que o ensaio terminou, os seis saíram do estúdio e foram até a sorveteria que
ficava ao lado, sentaram-se em uma mesa e passaram alguns minutos
conversando.
Após
o sorvete, todos se despediram um abraço e um beijo no rosto. No momento em que
Laryssa estava se despindo de Leandro, Erick chegou e a viu abraçando-o.
—
Que palhaçada é essa? — Erick falou aproximando-se deles e empurrando Erick.
—
Erick! — Laryssa gritou incrédula.
—
Qual é, irmão? Tá ficando maluco? — Leonardo falou retrucando o empurrão.
—
Rapazes, não. — Marcela falou se colando entre os dois, acompanhada pelos
demais rapazes que seguraram Leandro.
—
Olha aqui, não quero ver mulher minha agarrada com outro macho por aí. Tá
ficando maluca? — Erick falou grosseiramente segurando Laryssa pelo braço com
força.
—
Você está me machucando. — Laryssa falou tentando se soltar.
—
Solte ela, Erick. Deixe de ser idiota, somos dois colegas da aula de dança. —
Marcela falou de forma ríspida.
—
Solte-a, irmão. Senão, quebro a tua cara. — Leandro tentou avançar, mas foi
segurado pelos demais amigos.
—
Ah! Então ele é uma bonequinha do balé. — Erick falou rindo em tom de deboche e
soltando o braço de Laryssa.
—
Quer que te mostre a bonequinha, palhaço? — Leandro rebateu.
—
Prefiro distância. ¨Vamo¨ embora daqui. — Erick falou segurando
Laryssa pelo braço e arrastando-a pela rua.
Durante
o caminho, nem Laryssa, nem Erick tocaram no ocorrido. O braço da menina estava
um tanto avermelhado pela forma que ele a segurou e a cara dele completamente
fechada, em puro ódio.
Na
sorveteria, o ¨climão¨ foi instaurado, Leandro falou alguns
palavrões a respeito de Erick, contudo, Marcela não quis continuar o assunto,
era algo que precisava conversar apenas com a amiga. Enquanto espera pelo seu
pai, voltou a trocar mensagens com Vincenzo. E cada mensagem recebida, era um
sorriso mais aberto que se estampava em seu rosto.
Marcela: Já tomou banho, porquinho?
Vincenzo: Já, minha patricinha!
Está tudo bem? Sua aula já terminou?
Marcela: Pare de me chamar de
patricinha. Estou bem, sim. Aconteceu uma situação aqui, mas já superamos. E
sim, minha aula já acabou.
Vincenzo: O que aconteceu?
Você está bem? E não, patricinha.
Marcela: Nada! Esqueça! E
deixa de ser ridículo.
Vincenzo: Não.
Marcela: Idiota!
Após
alguns minutos, o pai de Marcela enfim chegou para buscá-la. Assim que entrou
no carro, fez o seu velho e pontual ritual e em silêncio foi para casa.
●●●
Vincenzo e Marcela continuavam a passar
horas no telefone conversando. Assim que chegavam da escola, ficavam trocando
mensagens até tarde da noite e aos fins de semana, quando não iam a algum lugar
passear, estavam conversando.
Até mesmo na sala de aula eles trocavam
mensagens. O que irritava a Laryssa, que já não aguentava mais ver a amiga
trocar aquelas “malditas mensagens” o tempo inteiro. Marcela tentava argumentar
que ela não deveria ser injusta, pois todo o seu tempo livre era usado em prol
do Erick.
A garota estava sempre com o namorado e
depois que havia iniciado o relacionamento, pouco saía com a melhor amiga e com
demais amigos. Ele não a deixava um minuto só. Andavam pela escola sempre
juntos para cima e para baixo. O único momento em que não estavam juntos, era
na sala de aula, única e exclusivamente em razão dos professores terem proibido
que se sentassem juntos.
Durante os intervalos, e, em todas as
oportunidades que tinha, Erick a arrastava para lugares escondidos na escola
para poderem ficar mais à vontade. Em algumas situações, eles já haviam até
chegado a transar. Como o uniforme das garotas era composto de uma blusa social
branca e um saião azul-marinho, bastava apenas levantá-lo para tornar qualquer
ato possível. Diversas vezes, ela nem sequer estava com vontade de fazer,
todavia, sentia-se na obrigação de agradá-lo.
●●●
Em uma tarde de ensaio, enquanto
Marcela ensaiava seu número com Leandro, Laryssa pegou o celular dela e
fingindo ser ela, enviou uma mensagem para Vincenzo pedindo para ele ir
buscá-la. O garoto em menos de um minuto respondeu aceitando o pedido. Então,
ela apagou as mensagens trocadas e devolveu o aparelho para a mochila da amiga,
certificando-se de que Marcela não havia percebido o que havia feito.
Enquanto Vincenzo estava a caminho do
estúdio — que ficava próximo a sua casa — Luciana começou a ensaiar os beijos
que iriam acontecer no final das danças. Como Marcela pediu um tempo para
recuperar o folego e beber um pouco de água, ela começou por Thayza e Pietro,
deixando a garota para o final.
Vincenzo rapidamente chegou ao estúdio
e quando abriu a porta, deparou-se com Marcela e Leandro se beijando. Assim que viu aquela cena, o garoto deu meia
volta, fechou a porta com força e saiu do local enfurecido. Laryssa
desesperou-se ao perceber que poderia ter estragado tudo com um absurdo e
gigantesco mal-entendido. Todos se assustaram e correram atrás dele para saber
o que havia acontecido.
— Vince, pare! — gritou Luciana
enquanto o rapaz passava pela porta do estúdio.
Ele parou e se virou para olhar
diretamente para ela. — Oi! — falou rispidamente.
— O que houve? — ela perguntou pondo a
mão no ombro dele, completamente confusa.
— Nada! — ele a respondeu
olhando. — Parece que apenas vim até aqui fazer papel de idiota. —
concluiu olhando para Marcela. Antes que a garota pudesse se aproximar, ele se
virou e foi embora.
Marcela correu até sua mochila e
começou a enviar mensagens para Vincenzo, questionando-o sobre o que havia
acontecido. Entretanto, ele não respondeu a nenhuma das mensagens enviada e
quando ela ligou, ele recusou a ligação e desligou o aparelho.
Nos dias que se sucederam ele nem
sequer olhava para a cara dela. Todas às vezes que ela chegava perto dele, ele
saia do local, deixando-a sozinha.
Laryssa estava tão envergonhada,
sentindo-se tão culpada, que não havia ainda conseguido contar para a amiga que
todo aquele mal-entendido era sua culpa. Marcela por diversas vezes chorava
escondida atrás da escola com amiga que tentava fazer o possível para
consolá-la.
Após algumas semanas, em uma tarde
quente de domingo, Vincenzo estava em casa jogando videogame com seu primo
Daniel, quando voltou a receber mensagens de Marcela, que insistente, ainda
tentava reverter toda a situação.
— Primo, não para de chegar notificação
no seu celular. Não quer dar uma olhada? Pode ser algo importante. — Daniel
falou sem tirar os olhos da partida de Fifa que eles jogavam.
— Ah! Não se preocupada, provavelmente
é mensagem de uma garota insistente aí! — Vincenzo respondeu.
— Deixando as novinhas doidas,
é? Tá pegando? — Daniel perguntou rindo e dando um leve empurrão em Vincenzo
com o ombro.
— Não! — Vincenzo respondeu de forma
séria e grosseira.
— Eita! — Daniel exclamou. — Ela é
feia? Não gosta dela?
— Do contrário, ela é linda e eu sou
amarradão nela, mas me fez de trouxa.
— Fez? — perguntou Daniel zombando. —
Pensei que você sempre fosse.
Vincenzo riu. — Babaca!
Daniel também riu. — O que ela fez
cara?
— Me mandou uma mensagem pedindo
para ir buscá-la na aula de dança, só para vê-la beijando outro babaca lá.
— Porra que mancada! — Daniel
compadeceu com o primo. Mas, talvez, seja apenas um beijo técnico. Não?
— Que técnico o quê. Ela faz aula de
dança, não de teatro.
— Mas, cara, acho que isso não tem nada
a ver. — Daniel tentou contornar a situação e fazê-lo pensar.
— Quer trocar de assunto e retornar à
prestação no jogo? — Vincenzo o respondeu fazendo um gol na equipe do primo.
Daniel calou-se e não retomou mais o
assunto naquela tarde. E ambos continuaram a partida em completo silêncio.
Na aula de dança, Marcela
observava seu telefone desapontada e com muita dor, segurando-se para não
chorar tomou a decisão de não insistir nunca mais.
— Cela, é melhor dar um tempo
não acha? Deixa ele esfriar a cabeça e toda essa situação passar. Melhor coisa
é o tempo. — Leandro falou sentando-se ao lado dela e segurando sua mão.
— Ele me viu te beijar e deve tá
confundindo toda a situação. Por que ele tinha que aparecer aqui do nada? Não
consigo entender. — ela falou inconformada.
— Entendo, desculpe. — falou tentando
consolá-la.
— Ah! Não é sua culpa, Léo, faz parte
da apresentação. Ele que é um idiota e não me deixa sequer explicar.
— Ela tem razão, Léo. Na verdade, quem
tem culpa sou eu. — Laryssa falou completamente envergonhada.
— Do que você está falando, amiga?
Ninguém tem culpa. — Marcela falou confusa.
Laryssa respirou fundo e buscou em seu
interior alguma forma de pôr para fora todo aquele segredo que vinha guardando
há dias. — Eu que mandei uma mensagem para ele, pelo seu celular, fingindo ser
você, e, pedindo para vir te buscar. Depois apaguei as mensagens antes que você
percebesse. falando para ele ir te buscar. — ela confessou.
Marcela levantou com raiva e incrédula.
— Laryssa! — gritou Marcela.
— Desculpe, amiga, eu não fazia
ideia de que a Luciana ia incluir beijos técnicos no final das danças e começar
a ensaiá-los naquela hora. Eu não te falei nada antes porque não sabia como
explicar toda essa situação. — Laryssa justificou-se. — Me perdoa.
Marcela respirou fundo e olhou para
cara de ¨pidão¨ que a amiga fazia. Eram amigas há muitos anos e não conseguia
guardar raiva de Laryssa. — Tudo bem! — falou com um sorriso de canto de
rosto.
Laryssa a abraçou e voltou a sussurrar
no ouvido da amiga pedidos de desculpas.
— Meninas, a cena está linda, mas tenho
que ir. — Leandro falou interrompendo-as.
— Tá bom. — falaram juntas.
— Vou com você até lá embaixo, estou
louca para ir ao banheiro. — Laryssa falou deixando a amiga sozinha, que
voltava a encarar as mensagens enviadas para Vincenzo sem resposta.
Ela o acompanhou até o térreo do
prédio, onde ficavam os banheiros e despediu-se dele com um abraço. No exato
momento, Erick entrou no prédio e viu novamente toda aquela situação.
— Já não disse que não te quero
abraçando macho por aí. Até porque tenho dúvidas do time que essa bonequinha aí
joga. — disse Erick emburrado.
— Deixa de ser infantil e
preconceituoso, Erick. Ele é meu amigo, e eu só estava me despedindo dele. —
ela o respondeu irritada.
— E para se despedir tem que abraçá-lo?
Não conhece o aperto de mão? Os japoneses, por exemplo, nem se tocam.
— Tá bom, Erick. Melhor, nem começa com
o seu show. — ela concluiu irritada.
— Show? Quer saber, pede ao
amiguinho para te levar para casa. Cansei. — Erick falou irritado, virou-se e
foi embora.
Dessa vez, Laryssa segurou-se para não
correr atrás dele. Já se sentia cansada de alguns ataques de ciúme que ele
tinha.
●●●
Na terça seguinte, Marcela e Vincenzo
continuavam sem se falar. Ambos sentiam muita falta um do outro. Ela já havia
parado de tentar justificar-se e ele já tinha até consigo superar em parte o
que havia ocorrido, mas o orgulho era mais alto.
Erick e Laryssa já tinham feito as
pazes. Contudo, o ciúme de Erick apenas crescia a cada dia que passava. Ele
nutria cada vez mais um ódio em relação a Leandro, não suportava sequer vê-lo
em sua frente.
Luciana percebeu que naquele dia a
turma estava muito dispersa e errando passos já superados.
— Vamos, lindinhos, onde está a
animação de vocês? Faltam vinte dias para a estreia e vocês estão errando
detalhes bobos. Conheço o potencial de cada um aqui. — Luciana desapontada com a
turma.
— Desculpe, Luciana… — Marcela fez uma
pausa. — Eu não estou com cabeça hoje. — falou e saiu da sala correndo direto
para o banheiro, entrou em uma cabine e desabou em chorar.
Percebendo a demora da amiga Laryssa
saiu da aula para procurá-la.
— Cela! — gritou Laryssa. —
Cela!
Marcela não respondia e continuava a
chorar. Laryssa pôs a mão na porta da cabine em que ela estava e o sentimento
de culpa invadiu seu coração.
— Amiga, não chora. Venha. — Laryssa
falou tentando confortá-la.
Marcela abriu a portada cabine e olhou
a amiga nos olhos. — Tenho tentado ser forte, mas não consigo mais. Eu o amo, lally.
De verdade. — ela galou aos prantos.
— Eu sei amiga, eu sei. — Laryssa falou
secando as lágrimas da amiga.
Marcela a abraçou com força. Elas
ficaram conversando durante um tempo, até Marcela conseguir se recompor e ambas
poderem voltar para a aula. No momento em que as meninas estavam saindo do
banheiro, Laryssa começou a sentir-se tonta e em poucos segundos desmaiou.
Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuul! Esse tá demais! Ansiosa para quarta!
ResponderExcluirIncrível muito bom.
ResponderExcluirMuitooo bom
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirEsta cada vez melhor... Com expectativa para o próximo :)
ResponderExcluirAmooooooo essa historia! Ansiosa :-)
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirAcho q laryssa ta gravida kk!
ResponderExcluirrsrs
ExcluirQuero so ver quando marcela e vince se pegarem nao vai ter qm apague o fogo desses dois !!! <3 kkkkk
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